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Deserto, Desertos

Editora Vozes, 1998

"Sem a página em branco onde ficariam as palavras? Não foi no deserto que o homem inventou Deus?

Na ausência das coisas ou no seu silêncio descobrimos a Presença que para sempre as conterá: Evidente, mortal e viva vacuidade...

No deserto não há nada a ser visto e é isto que precisamos ver ao menos uma vez na vida: nada ver com os olhos bem abertos.

E a morte não terá, então, nada mais a nos ensinar."

"Ir para o deserto é, em primeiro lugar, "partir em direção a si mesmo" e é a isto que somos convidados. Para realmente conhecer a si mesmo é preciso "deixar" para trás várias memórias que confundimos com nossa identidade. Deixar o conhecido, o reconhecido que cremos ser, pelo desconhecido, o não-conhecido que somos. Quando a consciência se cala, quando ela não tem mais palavras, imagens, ou conceitos a dizer, entramos em um espaço infinito que é simbolizado pelo espaço sem limites do deserto."

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