Nos primeiros séculos da nossa era, os Padres da Igreja se auto denominaram “verdadeiros filósofos” em oposição aos sofistas, esses oradores que manipulavam de maneira brilhante a arte da linguagem sem, no entanto, agir de acordo com suas próprias palavras. Ora, o “verdadeiro filósofo” não especula, não manipula. Seu objetivo não é ter razão ou mudar o mundo, mas transformar-se para participar do seu próprio porvir. O Buda, o Cristo e os outros grandes sábios do Oriente tinham essa mesma visão da filosofia, visão próxima das suas origens. De fato, na Grécia antiga, a filosofia representava, acima de tudo, uma arte de viver compreendida como um exercício espiritual.
No espírito dos Padres, a “verdadeira filosofia” revela uma arte de iluminar, de “ver claro” e uma prática terapêutica que cuida e cura. Ao retraçar a vida e a obra dos maiores Padres gregos, Jean-Yves Leloup traz à luz seu ensinamento e sua “gnose”, em uma única palavra, sua sabedoria sempre viva.
(Introdução aos verdadeiros filósofos – introdução) |