Ao lermos este relato autobiográfico repleto de fraturas e feridas, chegamos a tocar, com o autor, a profundeza do contra-senso, onde o amor, a morte, a raiva, se confundem com a angústia do absurdo. Mas Jean-Yves Leloup é, na verdade, um andarilho incansável : dominicano que se tornou ortodoxo, analista, filósofo, conhecedor profundo da patristica e religiões comparadas, ele nos faz entrever, no cerne desta vida tumultuada, entregue toda nua e crua à nossa indiscrição, vislumbres místicos que apontam para um além do homem.
Estes fragmentos de itinerância bem nos podem ensinar, como o fizeram as confissões de santo Agostinho, a “arte de viver em tempos de catástrofe”...
(O Absurdo e a Graça – Introdução) |