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Uma Arte da Atenção

Editora Verus, 2004

O Despertar do Coração

“Quando fores te engajar em um caminho, pergunta a ti mesmo se esse caminho possui um coração”, disse Dom Juan, o iniciador de Carlos Castañeda.

      Não se trata do coração físico, sequer do coração afetivo e emocional, mas do coração como centro de integração de todas as faculdades da pessoa; o coração como “centro” do homem – praticamente todas as grandes tradições da humanidade dão testemunho disso.

     Um dos dramas do homem contemporâneo é ter perdido o seu coração.  Não existe nada entre o cérebro e o sexo; às vezes apenas uma imensa saudade... mas frequentemente passamos das mais frias análises aos excessos pulsantes mais levianos.  Dessa maneira, o homem torna-se cada vez mais esquizofrênico, tendo perdido o seu centro de integração, de “personalização” do seu ser: o coração.

     Uma inteligência sem coração não é realmente humana.  Quando os bancos de memória de um computador são decuplicados, ele torna-se mais “inteligente” do que o homem.  A inteligência sem o coração, “a ciência sem consciência”, ilumina nossas sociedades com uma luz fria onde o homem “se gela”, se analisa e se entedia...

      Uma sexualidade sem coração não é uma sexualidade realmente humana, qualquer que seja a quantidade das nossas intensidades pulsantes, é apenas em uma relação de pessoa a pessoa que o prazer efêmero pode se transformar em felicidade permanente.  “No verdadeiro amor”, dizia Nietzsche, “é a alma que envolve o corpo.”

      É o coração que dá um sentido aos nossos enlaces, assim como é o coração que pode orientar as descobertas da inteligência (cf. a física nuclear) em um sentido positivo à vida da humanidade.

    Vivemos na época das luzes néon e dos cobertores elétricos, das luzes frias e dos calores opacos.  Não é possível se aquecer junto a uma luz néon, não nos iluminamos junto a um cobertor elétrico.  Perdemos a chama que é ao mesmo tempo luz e calor.  Redire ad cor” – “volta ao teu coração”: as palavras do profeta são mais atuais do que nunca.

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